E por que contar o acontecido? Tenho medo de contar. Da tremor de dizer as coisas. Parece que é tentar a verdade. E nem é. Mas pode parecer e dá vergonha. Mas há que cantar, não há? É um caminho para luta mais sã.
É para dizer o que encontrei: bonito e feio. Pode ser útil ou divertido. O bonito é o caminho. Qualquer. É para para saldar a distância dos queridos. Me arrisco, com receio de pretensão. Que nem é mas pode parecer.
Parto do começo: nascente.
O rio que fui procurar, tentei encontrar pelo fio da meada. Tentei puxar o começo. Mas o começo do rio não é preciso. Tentaram me falar que era. Colocaram um placa. O Santo apontou. Fiquei quieto, desconfiei. Perguntei: onde brota? Queria ver o milagre. Onde, do nada, surge. Mas não pode ver, o Santo não mostra o milagre. O guarda não deixa. A nascente é preservada. Milagre é meio isso, agente não vê, acredita. Eu acreditei. A água estava ali. Já era córrego. Já existia como um rio pequeno, ainda um qualquer. " - A nascente fica no pé daquelas serrinhas." O guarda pode. Diz que foi lá. E não é uma só. Brota em vários lugares. Sai das pedras, da terra. Não tem uma verdadeira.
O do São Francisco, seguido o rio contra-corrente para num paredão em forma de canastra que do meio, num furo rasgado desce assombrando o mundo. O rio fica de pé. O monumento. É um nascimento, uma anunciação de quem vem lá . Já não é um rio qualquer: é o rio. O resto são veredas. Deixa tudo quieto, só a zuada da queda e a fumaça que enxarca, benze na marra quem chegar perto. E quem passa se deixa benzer, a maior parte deixa. Tem uns que reclamam, que não se rendem. Cada um é um. Há outros altares.
O milagre é a fecundação e não o parto. Quando fecunda ninguém vê, só goza. O milagre costuma ser alegria, desconfio. O parto é a celebração do milagre. Nascer é se fazer visto e admirado. A cachoeira é a celabração natal. Parece que dá para ver a vida. O rio nasce mesmo é na cascata: um altar.