segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Altar

Sigo. Caminhando no meio das serras com a cabeça no mundo. Sozinho é assim, não dá para fugir d´agente. Longe das relações de sempre, dos espaços em que já temos papéis, o que sobra? Um monte de gente. Misturado. Borrado. Angústias e alegrias mais essenciais.
Cabeça no mundo pensando nos lastros: pessoas que continuo conversando quando estou só. Li num blog de uma destas estrelas (no caso uma Estrela do Mar):

"Tenho que inaugurar para mim um jeito novo. Eu falo muito, eu sei disso, mas é só porque ainda não achei minha forma. Quando isso acontecer vou ficar contida e poderosa, cheia de força como uma nuvem preta expedidora de raio. Santo é assim, não é? Você toca nele e sai uma força que te põe trêmulo e branco. Quero o que se deve querer, já que, conforme o mandamento, somos todos chamados à perfeição: é por isso,é por estrito senso de dever que eu quero o mais custoso." (Adélia Prado)

Os santo, os milagres. Nesta serra não tem estrela do mar. Mas tem altar. A cachoeira é o altar de seu rio. Aqui tem uma basílica. Templo da essência de TERRA: rocha e água que se revelam. A nascente de um rio: é de onde brota vida. Parece o mistério desvendando.

Um comentário:

  1. A nascente do rio... início de vida. Essa tal,
    não é ela mesma um milagre? Desde longe o homem quer desvendar, muitos já tentaram, muito já se fez, mas há qualquer coisa que não se desvela, uma coisinha lá no fundo, que fundo? Não sei. Mas é lá. E é nesse "lá" que estão os lastros.Eraizados.Por que só os percebemos tão fortes quando estamos longe, sozinhos? É assim, eu também sinto. Voilà!Bonne chance.

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