Chove. Sigo em introduções. Aqui estou caminhando, molhado. Até então só rodiei a fonte. Vi o córrego que chamam de nascente, vi despencar por cima com muito custo. Quero ver o baú, o chapadão canastra, e ela, a fonte. Mas para a frente dela ninguém ia. Ninguém levava. Vou só, outra
vez. Peguei um ônibus até onde dava. Cheguei na Vargem Bonita e segui no caminho dela, na contra-corrente do rio, que nestas alturas já é Rio, bonito no meio de seu vale. Até Sáo José do Barreiro 15 km, depois mais 1o km. Para chegar é preciso estar no caminho. Me lancei a pé e aqui estou caminhando na chuva, na estrada. Muito bicho. O tucano e outras flores. Ninguém passa. 25 km? A pé? Na chuva? E depois voltar para São Roque de Minas onde estou hospedado. O último ônibus, 18 horas. Meio dia, agora. Estou duas horas e meia caminhando. Devo ter caminhado 4 km. Estava olhando os pássaros de binóculos. Alguns carros passaram na direção contrária,
umas motos e uns cavalos. Um carro que passou não parou. A menininha na garupa do cavalo perguntou sem fazer juízo: "-Vai caminhando?" Não parece sensato. Andando, revendo as últimas horas. Ir ou esperar? Esta pergunta, devia ter feito antes. Agora vou. Qual o justo ponto num dilema? Poucos dilemas interessam. Mulher ou Homem? Faz diferença! Mas não importa. Qualquer ponto entre homem e mulher é justo. Paz ou Guerra? Amor ou desamor? Vida ou morte? Dá dúvida? Quase não. Mas negar a guerra, o desamor e a morte me parece falho. Seguir ou voltar? Neste momento o desconforto o cansaço e perspectiva de
terminar o dia andando sem ter onde ficar me traz um pingo de angústia. Calma. Poucos dilemas são importantes. O descolntrole, a deriva de boiar é o conforto de chegar no mar. E no mar se acabar. Se tiver cachoeiras? Depois eu penso, agora não avisto nenhuma. No povoado tem gente, se conversa. Caminho no contra-rio. Está chovendo. E aquele carro que esta vindo vai parar, uma moça vai me levar para uma pousada com comida farta, mineira, gente amiga, cachoeiras e novos pontos de vista da canastra e do grande salto. Seguir pode ser tão bom quanto ficar.
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Dilema? Sempre. A vida é assim. Como intelectualizar as categorias antagônicas das forças imaginantes da nossa mente? O impulso da novidade e o impulso ao primitivo. Tentar encontrar por trás das imagens que se mostram, as imagens que se ocultam. As raízes das forças imaginantes. O poeta aponta para o valor essencial da matéria. A água como linguagem fluida.
ResponderExcluirBachelard apresenta a água como espelho, Narciso, apelando para a naturalização da nossa imagem. Uma lenda do humano, do cosmo e das flores - o pancalismo - revela-nos o mundo como representações e como vontade. Vontade de contemplar. A água como olho do mundo, água que vê e sonha. O poeta compreende o universo imaginário das águas: do límpido, da pureza e do frescor, desde o imediato, ao complexo e profundo, da calma e do silêncio e da imaginação dinâmica da violência. Mais também a água das misturas e das combinações, sobretudo da água com a terra, em um esquema fundamental da materialidade: as massas e as ligas. A combinação dos poderes: o homo faber e a mão geométrica do homo fabricante.