Parado. Pirapora.
Assim me sinto: represa. Vejo o rio correr adiante e não saio do lugar. Neste caminho, nos momentos em que não ando alguma angústia se pronuncia mais identificável. O que espero? Esperar pode ser tão bom, quanto seguir mas por quê o coração sente? Penso nas águas paradas atrás dos muros esperando sua vez de passar pela barragem. Ora vertendo, ora produzindo energia. Acumular energia permite mais o trabalho. Trabalhar é bom? Idéias do trabalho sempre voltam a minha cabeça. Aqui o esforço de encontrar embarcação que me leverá enfim pelo rio se dissipa em conversas sobre o tempo que se navegava. Nada parte daqui. As chatas estão há dez anos paradas, na beirada, no mato. Até funcionando perfeitamente, dizem. Mas não navegam, não transportam. Um barco parte. O velho vapor, queimando eucalipto, apitando. Mas logo volta ao porto. É para amenizar saudade de velhos marinheiros.

Nada parte. Não se navega. Porto?
Ei! Poeta. Eh! Pensador. Onde está você? Ficou no Porto de lembrança? Então, lembre-se, temos que trabalhar com as dualidades: Devaneio/Realidade, Pensar/Agir.
ResponderExcluirVocê mais do que ninquém sabe disso. Voilà!